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Após 7 minutos e 13 time banks gastos, João Simão encontrou o fold da sobrevivência no SHRB PLO

João Simão

O heads-up do Super High Roller Bowl: Pot-Limit Omaha mal havia começado quando João Simão precisou enfrentar uma decisão capaz de encerrar sua participação no torneio. Em desvantagem de quase 4 para 1 contra Sean Rafael, o brasileiro encarou um all-in no river, consumiu 13 time banks e cerca de sete minutos de reflexão e, no limite, encontrou o fold correto.

A jogada aconteceu justamente na primeira mão do duelo decisivo do torneio de US$ 100.000, que reuniu 32 entradas e distribuiu US$ 3.200.000. Simão acabaria vice-campeão, levando US$ 775.000, enquanto Rafael ficou com o título e US$ 1.150.000.

Sean Rafael - PGT SHRB

Fold espetacular no river

Nos blinds 30.000/60.000 (bb ante 60.000), Simão recebeu KK66 e abriu para 180.000. Rafael pagou com 10963 e ambos viram o flop 554. O brasileiro fez uma cbet de 105.000, mas recebeu um check-raise para 370.000 e pagou.

O 3 apareceu no turn e aumentou consideravelmente a complexidade da mão. Com o pote já em 1.160.000 fichas, Rafael tomou a iniciativa e apostou 370.000. Mais uma vez, Simão pagou. Então veio o 7 no river.

A carta completou uma sequência para Rafael e o norte-americano colocou o brasileiro em all-in. Para Simão, começou o verdadeiro torneio dentro da mão. João não havia formado trincas, sequência, tampouco full house, mas bloqueava a sequência com o par de seis e a leitura, em nenhum momento, era de que o adversário não teria acertado o flop.

A linha do adversário também precisava ser reconstruída desde o flop. passou vários minutos tentando separar valor de blefes. Foram aproximadamente sete minutos de tank e 13 time banks utilizados até que o brasileiro verbalizou o tamanho do dilema.

“Minhas cartas dizem call, mas esse pode ser o pior fold da minha vida.”

Ainda antes de desistir da mão, Simão brincou com a transmissão, soltando um “Desliguem as câmeras” enquanto mandava as cartas para o Muck.

Assista a toda a ação:


Rafael confirma a leitura de Simão

A conversa entre os dois depois da mão tornou o momento ainda mais interessante. Em clima descontraído, Simão revelou parte do raciocínio que o manteve tantos minutos pensando: “Eu tinha par de seis, que era a parte boa da mão para dar o call”, explicou.

Rafael respondeu que venceria um par. Simão então quis saber até onde ia essa afirmação: “Qualquer par? Porque eu tinha reis”. Foi quando Rafael entregou a informação definitiva: “Eu ganharia de qualquer par. Tinha sequência”.

E completou: “Bom fold.”

Simão agradeceu, confirmando que havia acabado de escapar de uma eliminação logo na primeira mão do heads-up. Rafael começou o confronto em vantagem e um call incorreto teria encerrado imediatamente a tentativa brasileira de reação. O fold manteve Simão vivo e permitiu que a disputa prosseguisse.

O vice rendeu mais uma premiação expressiva ao currículo de João Simão, mas uma das imagens marcantes da decisão aconteceu antes da mão derradeira. Ali, Simão mostrou porque é uma das grandes mentes desse esporte.

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Fotos: PGT.

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