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Daniel Negreanu revela sua opinião a respeito do polêmico call de Lauri Saaskilahti no Main Event da WSOP

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O hero call de Lauri Saaskilahti, que mudou completamente o heads-up do Main Event da World Series of Poker (WSOP) 2026, continua rendendo discussão entre os grandes nomes do poker. Desta vez, quem analisou a decisão foi Daniel Negreanu, que não escondeu a surpresa ao ver o finlandês pagar a enorme aposta de Lucas Jumalon no river.

Em entrevista ao portal PokerOrg após uma WSOP em que conquistou seu oitavo bracelete e acumulou mais de US$ 2,9 milhões em premiações, Negreanu contou que assistiu toda a mesa final do Main Event. Segundo o canadense, foi a primeira vez em muitos anos que a decisão do torneio realmente prendeu sua atenção, algo que atribuiu também ao retorno da transmissão para a ESPN e ao trabalho de apresentar melhor as histórias dos finalistas.

O profissional também elogiou Jumalon, campeão aos 22 anos. Negreanu destacou tanto a postura do jovem quanto sua intenção de atuar como um embaixador do poker e aprovou a escolha de Patrick Leonard para trabalhar como seu treinador durante a competição.

O ponto alto do heads-up, sob a ótica de Negreanu

Mas foi a gigantesca mão contra Saaskilahti que mais chamou sua atenção. No heads-up, Jumalon segurava Q5 contra J3 do finlandês. Depois de aplicar uma enorme overbet no turn, quando ainda estava atrás do terceiro par do adversário, o norte-americano encontrou o flush nuts no river e voltou a pressionar. Saaskilahti passou vários minutos tentando identificar um possível blefe e acabou pagando. Jumalon mostrou a mão vencedora e puxou um pote que praticamente definiu o destino do título.

“Fiquei realmente chocado com o call. De verdade”, afirmou Negreanu. Para ele, o problema estava justamente na maneira como o range de blefes de Jumalon se comportava depois da carta do river.

Veja como foi a jogada completa:

Negreanu explicou que, diante de duas overbets consecutivas, é natural interpretar a linha como extremamente polarizada entre uma mão muito forte e um blefe. O detalhe, porém, é que boa parte dos blefes que chegariam daquela forma ao turn provavelmente já teria uma carta de espadas.

“O problema do call é que, quando você enfrenta uma overbet dupla como essa, sim, é verdade que o cara está dizendo: ‘Tenho o nuts ou não tenho nada’. Mas esse ‘nada’ quase sempre terá uma espada, provavelmente a dama de espadas”, analisou.

Curiosamente, a avaliação do oito vezes campeão da WSOP sobre a decisão anterior foi completamente diferente. Negreanu considerou excelente o call de Saaskilahti no turn, quando Jumalon ainda não havia completado seu flush.

“Eu achei o call do Lauri no turn inacreditável. Simplesmente inacreditável. Um call fantástico”, afirmou.

A chegada da espada no river, entretanto, alterava todo o raciocínio na visão do canadense. Se Saaskilahti acreditava que Jumalon estava blefando no turn, muitas dessas combinações teriam acabado de completar exatamente a mão que estavam buscando.

“Quando esse river aparece, você pensa: ‘Ok, eu tinha pegado ele no turn’. Se eu achava que ele estava blefando, agora ele acertou. Quase sempre. Por isso fiquei realmente surpreso ao ver o call do Saaskilahti”, explicou.

Ainda assim, Negreanu fez questão de observar o outro lado da decisão. Caso Saaskilahti estivesse certo e Jumalon realmente tivesse um blefe, a jogada poderia ter entrado para a história por um motivo completamente diferente.

“Se ele estivesse certo, teria sido um dos maiores hero calls da história da WSOP”, afirmou.

Para Negreanu, portanto, o call que ajudou a decidir o Main Event não apaga a atuação que levou Saaskilahti até o heads-up. Foi uma escolha que o surpreendeu e que, em sua leitura teórica, encontrou justamente uma das piores cartas possíveis para continuar acreditando no blefe

Outros profissionais discordam

Como noticiamos aqui no PokerLife logo após a decisão, outros jogadores profissionais se manifestaram favoráveis ao call de Saaskilahti. Caso do próprio Patrick Leonardo, citado por Negreanu:

“As mãos que o Lucas entra de limp, têm Q, ou seja Q2 - Q6 offsuited na sua maioria, portanto bloquear essas mãos com J3 é melhor do que ter sequência ou dois pares. O valete também é ok, Lucas nunca está blefando com um valete no turn. A combinação Valete e 3, ainda é melhor. Provavelmente é melhor pagar com essa mão, do que com muitas das outras. Neste caso, não importa se você tem o terceiro par, temos um bluff catcher”

Scott Seiver foi por outro caminho e chamou atenção para como a percepção da jogada poderia mudar dependendo apenas da última carta. Para o norte-americano, se o river não completasse o flush de Jumalon, havia uma boa possibilidade de Saaskilahti ser celebrado pela mesma comunidade como autor de um dos maiores hero calls da história do Main Event.

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Fotos: Monique Marestein/WSOP. 

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