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Empresário relata dificuldade para receber dívida milionária de Tom Goldstein; caso avança com novos depoimentos

Tom Goldstein

O julgamento de Tom Goldstein ganhou novos contornos nesta semana com depoimentos que aprofundam a relação entre o ex-advogado de renome e as perdas no universo do poker de altas apostas. Um dos momentos centrais da audiência de terça-feira (20) foi o testemunho do empresário Bob Safai, que afirmou ter enfrentado dificuldades para receber uma dívida milionária após derrotar Goldstein em jogos privados disputados em 2017.

Safai, magnata do setor imobiliário na Califórnia e presença frequente em mesas de cash game, descreveu o estilo de jogo de Goldstein como “agressivo e, por vezes, errático”. Segundo apurado pelo portal Bloomberg Law, um heads-up realizado durante o feriado do Dia do Trabalho daquele ano terminou com Goldstein acumulando um prejuízo de cerca de US$ 6.000.000 – valor que, diferentemente de outras experiências de Safai, não foi quitado de forma imediata.

De acordo com o depoimento, a tentativa de recuperar o montante levou à formalização de uma nota promissória, prevendo o pagamento da dívida acrescida de juros até 2020. Safai afirmou nunca ter recorrido a esse tipo de mecanismo para cobrar perdas de jogo e comparou a situação a um “gato preto”, em alusão à dificuldade constante de resolver o impasse. Parte dos pagamentos, segundo ele, teria sido feita por terceiros, o que chamou a atenção da acusação.

Entre essas transações está uma que envolve o ator Tobey Maguire. Conforme já revelado anteriormente no processo, o astro de Hollywood teria pago honorários advocatícios a Goldstein que acabaram sendo direcionados diretamente a Safai, como forma de abater a dívida de poker. Os promotores sustentam que o episódio configura uso indevido de recursos da firma de advocacia do réu, tese que se soma ao conjunto de acusações financeiras enfrentadas por Goldstein.

Bob Safai
Bob Safai em uma clássica aparição no programa Poker After Dark, em 2009. (Foto: Reprodução YouTube/PokerGO)

O julgamento também ouviu Kevin Russell, ex-sócio de Goldstein na Goldstein & Russell. Ele descreveu o antigo parceiro como um profissional altamente confiante e tecnicamente brilhante, mas relatou que, nos últimos anos, Goldstein teria demonstrado cansaço com a advocacia, optando por se afastar da prática em 2023 para se dedicar a outros interesses.

Os depoimentos reforçam a narrativa apresentada pela promotoria desde o início do caso: a de que Goldstein, após um período de vitórias expressivas no poker – incluindo confrontos que lhe renderam dezenas de milhões de dólares – passou a acumular perdas substanciais, dívidas crescentes e problemas fiscais. O ex-advogado responde por acusações que envolvem evasão fiscal, falsificação de declarações de imposto, inadimplência tributária e informações falsas prestadas a instituições financeiras.

Com novas testemunhas previstas para os próximos dias, o julgamento segue alimentando a atenção simultânea dos meios jurídico e do poker mundial. O caso, que já atravessa mais de um ano de desdobramentos públicos, entra agora em uma fase decisiva, na qual detalhes antes restritos aos bastidores das mesas de altas apostas passam a ser dissecados diante da Justiça estadunidense.

Foto principal: Chapman University.

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