Entrevista exclusiva: Bárbara Akemi fala sobre ascensão, pressão nas grandes retas e futuro nos high stakes


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Poucas jogadoras brasileiras atravessam um momento tão significativo na carreira quanto Bárbara Akemi. Depois de anos construindo seu espaço principalmente no poker online, a profissional transformou as últimas temporadas em uma sequência de conquistas que a colocou entre os principais nomes do país, dentro e fora das mesas.
O currículo recente ajuda a dimensionar a fase. Em 2025, a jogadora do Samba Poker Team conquistou um bracelete da WSOP Online ao vencer o US$ 500 Ladies No-Limit Hold'em Championship no GGPoker, faturando US$ 20.537. Já em 2026, protagonizou uma campanha histórica no Main Event do EPT Barcelona: foi o melhor representante do país no torneio, entre homens e mulheres, chegando ao Dia 6 e terminando em 10º lugar, na bolha da mesa final, para € 97.700.
Pouco depois da campanha na Espanha, outro reconhecimento chegou fora das mesas. Bárbara foi anunciada como integrante do GGTeam, tornando-se embaixadora do GGPoker em um período de forte ascensão da carreira. A trajetória ainda conta com um feito importante no online: em 2023, tornou-se a primeira brasileira a vencer o tradicional Sunday Million no PokerStars.
Mas a história começou muito antes dos grandes palcos. De torneios freeroll em Londrina aos principais eventos do mundo, Bárbara precisou aprender não apenas estratégia, mas também a lidar com uma das partes mais duras da profissão: perder. Em entrevista ao PokerLife, ela relembrou o início no jogo, falou sobre tilt e preparação mental, contou os bastidores da histórica reta do EPT Barcelona e explicou o que representa assumir hoje uma posição de referência para outras mulheres.
Confira o bate-papo:
Conta para a gente como foi seu início no poker.
Conheci o poker por influência de um amigo do taekwondo, Guilherme Dias, em 2016. Ele era um excelente atleta e estava começando a se destacar no poker também. Lembro de ter visto uma matéria dele no Globo Esporte e fiquei encantada. Comecei a me interessar e a participar de torneios freerolls em Londrina e, logo de cara, ganhei o primeiro free que joguei. Ali o poker já tinha me conquistado.
Fiquei uns três anos levando como hobby, jogando torneios free ou bem baratinhos em Londrina e começando a disputar alguns micro stakes online também. No final de 2019, já estava bem mais interessada e comecei a estudar o jogo.
Em 2020, com o início do lockdown por causa da pandemia de Covid-19, todo mundo trancado em casa e sem poder trabalhar, foi a oportunidade de dedicar todo o meu tempo a jogar e estudar poker. Tive um primeiro ano profissionalmente muito bom, mesmo jogando micro, e vi que poderia viver de poker.
O que a Bárbara de hoje falaria para aquela Bárbara que estava começando?
Tenha paciência e aprenda a perder. Eu sofri muito no início com os tilts por não entender a natureza do jogo, não entender que, jogando MTTs, eu perderia 70% dos dias. Tiltava pesado diariamente. Foram muitos mouses quebrados e muita terapia até me adaptar à variância do jogo.
Como foi a montanha-russa de sentimentos naquela reta final do Main Event do EPT Barcelona?
Foi muito especial. Era a maior reta final da minha vida, pagando € 1,3 milhão para o campeão, e, como eu era a última brasileira e a última mulher, tive uma torcida muito grande. Senti de perto o carinho da comunidade brasileira. Eu estava bastante nervosa, mas acredito que consegui jogar bem e executar as jogadas que tinha em mente. É um privilégio viver esses momentos de pressão em grandes retas finais e acredito que acabo performando melhor nessas situações. Uma pena ter caído na bolha, mas faz parte do jogo e foi um momento especial.
Hoje, com bracelete da WSOP, uma campanha histórica no EPT Barcelona e outras grandes conquistas, já caiu a ficha de que você se tornou uma referência para outras mulheres no poker?
Eu fico muito feliz com o carinho de outras mulheres do poker e de ter me tornado uma referência para elas. No meu início, eu gostava muito de acompanhar jogadoras que admirava e que vieram antes de mim, como a Camila Kons e a Lali Tournier. Como mulher, a gente quer ver outras mulheres vencendo e ocupando grandes espaços no cenário.
Você já teve experiência como embaixadora de outras marcas. Como é a responsabilidade de agora representar um gigante como o GGPoker?
Me traz muito orgulho ser TeamGG Brasil e representar o maior site de poker do mundo. É algo que eu almejava há muito tempo e espero fazer um bom trabalho com eles. Tem sido tranquilo porque acaba sendo fácil trabalhar com um site que todo mundo ama jogar e onde acontecem alguns dos maiores eventos mundiais.
Você tem alguma preparação específica para as grandes séries? Como foi, por exemplo, durante a WSOP Online?
Gosto de fazer warm-ups, estudos rápidos antes de começar a jogar, revendo mãos de sessões anteriores e treinando para situações que podem acontecer. Jogar bolhas, retas finais e mesas finais são situações que gosto de revisar e isso me ajuda muito. Acredito que, em época de grandes séries, sejam momentos de fazer o básico bem feito em vez de tentar aprender algo novo.
Depois de tudo que já conquistou, como você imagina a Bárbara Akemi daqui a dez anos?
Com um volume menor de jogo, viajando o mundo para jogar poker e me aventurando nos high stakes. Acredito que em dez anos não vou ter o mesmo pique para grindar como atualmente, mas não vejo nenhum cenário em que o poker não esteja na minha vida.
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Foto principal: Jules Pochy.















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