Em exclusiva, Kelvin Kerber fala sobre carreira, participação na Triton e faz revelação sobre WSOP

Não é novidade do universo do poker que Kelvin Kerber vive um grande momento na carreira. O brasileiro chega a uma fase especialmente relevante de sua trajetória, impulsionada por experiências recentes em alguns dos ambientes mais competitivos do poker mundial. Em entrevista exclusiva ao PokerLife, ele abriu o jogo sobre essa etapa da carreira e sobre os caminhos que enxerga para os próximos passos.
Na conversa, Kelvin fala sobre as impressões que levou da Triton Poker Series disputada em Jeju, na Coréia do Sul, analisa o peso dessa vivência em meio à elite dos high stakes e explica os motivos de não participar da próxima World Series of Poker, onde conquistou o bracelete em 2025. O jogador também comenta a repercussão da participação no documentário Online Poker Millionaires, do GGPoker, produção que ampliou seu alcance e ajudou a contar sua história para um público ainda maior.
Além da experiência internacional e dos planos para a sequência da temporada, a entrevista também abre espaço para uma avaliação sobre um tema cada vez mais relevante no país: o momento das transmissões de poker no Brasil. Entre avanços, desafios e perspectivas de crescimento, Kelvin compartilha sua visão sobre um segmento que hoje tem papel importante na forma como o jogo é consumido, acompanhado e apresentado ao público.
Confira o bate-papo com o sócio do Samba Poker Team:
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Como você avalia a experiência de jogar a Triton, em relação ao que já viu em outros circuitos?
Cara, eu acho que a Triton preza pela excelência, mas ele preza a excelência de verdade. Não como discurso, mas com ações. A quantidade de feedback que eles pedem, em formulários e tal, bem diferente de qualquer experiência que já tive com outros lives, onde o feedback é informal. Ele não é bem feito, ele não é bem organizado, às vezes pega como verdade a opinião de um jogador e faz uma mudança. Só que essa é a opinião de um jogador. A Triton sabe pegar esse feedback e melhorar o evento. Então, realmente é muito, muito bom.
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Qual impressão você teve na relação entre valor dos buy-ins e o field dos torneios?
É tudo relativo, né? A gente tá falando de um field de um torneio muito caro, então, com um Field relativamente soft, vale muito a pena, né? Se fosse um tornei de 2 ou 3 mil dólares, o Field não seria exatamente fácil. Mas, para esse average buy-in, eu diria que o field é muito bom. Os outros torneis que a gente joga nesse buy-in não têm esse field, então é bem legal. Assim, digamos que é um field apelativo o suficiente pra valer muito a pena viajar, fazer tudo... a dor de cabeça, que é viajar tão longe, né, pra jogar.
O bom resultado tem impacto na avaliação de participar das próximas?
Com certeza, o resultado impacta na tomada de decisão pra jogar outros eventos, até pelo investimento, né? A gente tá falando de uma grade na Triton, que varia entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão, entendeu? Então, se chega lá e sai errando tudo, eu, que jogo 100% com o meu dinheiro, até vendo um pouco desses torneios, ainda assim, o investimento pessoal foi próximo de US$ 400 mil. Então, se eu vou lá e não consigo ir bem, é difícil ter longevidade, né, ficar dando esses buy-ins por muito tempo. Exatamente por ter ido bem, a gente ganhou um fôlego para continuar jogando, então, com certeza, interfere. Acho que se eu tivesse breakado (terminado “break even”), eu ainda iria mais um, mas a margem de erro começaria a ficar um pouco pequena.
Falando em projetar os próximos torneios, vai estar em Las Vegas para defender o bracelete na WSOP?
Infelizmente, u tenho alguns compromissos pessoais ao longo desse ano que vão me fazer não conseguir ir para lá. Até por isso eu estou concentrando muitas viagens nesse primeiro semestre, porque depois eu não vou conseguir ir. WSOP, dessa vez, vai ficar de lado. E um dos motivos também é por causa das Tritons, jogando buy-ins tão caros fora do Brasil, onde o imposto não é retido na fonte, então a gente consegue depois fazer o pagamento de imposto de uma maneira que seja viável. É diferente de sair retendo 30% de cada premiação, aí começa a perder o sentido de ir para Las Vegas, jogar torneio de US$ 3 mil, US$ 5 mil, sendo que eu posso fazer uma viagem para jogar torneio de US$ 20 mil a US$ 40 mil. Então é um dos motivos também de eu não ter feito tanta questão assim, combinado com não ser um bom momento, por outras prioridades que eu tenho.
Bom, saímos do live e vamos para o online, onde você virou estrela de uma docussérie do GGPoker. Como foi esse convite?
Fiquei feliz de ter sido convidado, representar a comunidade brasileira, né? Eles queriam fazer na comunidade brasileira alguma coisa e acho que escolheram bem (risos). Acho que eu represento bem o que é o poker brasileiro e também o meu atual momento de vida, é um momento em que as pessoas têm facilidade e tem simpatia, né? Com certeza, foi bacana para a minha imagem, mas também acho que o site está bem satisfeito com o resultado final. A repercussão por enquanto, está ótima, foi uma oportunidade de ter ainda mais visibilidade e a repercussão está sendo tão boa quanto poderia ser.
Antes disso, você comentou uma mesa final do GGMillion$ na transmissão oficial do GGPoker. Como surgiu o convite?
O principal fato de terem me convidado para fazer a transmissão da mesa final do GGMillion$ é que teria o episódio a ser lançado logo em seguida, então foi uma boa oportunidade de promover a produção. Dito isto, eu já tinha conversado com o Jeff (Gross, narrador do GGPoker) antes mesmo de sair a possibilidade desse episódio, de fazer uma transmissão com ele. Mas, assim, foi aquele combinado “de boca”, naquelas de “depois a gente vê”. Depois, rolou. Foi bacana.
É algo que você já queria ter feito, algo que está no seu radar?
O poker brasileiro é muito forte, então ter bons jogadores brasileiros comentando é importante pra todos verem que os brasileiros sabem do que estão falando, reforçando ainda mais essa imagem positiva que o poker do país segue construindo perante o universo do poker mundial.
E no que diz respeito às transmissões aqui no Brasil, você acompanha?
Sim, claro. Quanto mais oferta, quanto mais transmissão de eventos grandes, melhor para o esporte no Brasil. Sempre muito bacana, e todos os veículos que fazem as transmissões ajudam a crescer o poker, porque muitos jogadores começam a ter o primeiro contato através dessas transmissões.
Foto de capar: BSOP.















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