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Fabiano Kovalski fala em entrevista exclusiva sobre conexão com Barcelona, “Brazilian Storm” e futuro no poker

Fabiano Kovalski

Poucos jogadores brasileiros construíram nos últimos anos uma presença tão constante entre os principais torneios do mundo quanto Fabiano Kovalski. Sócio do Samba Poker Team, o paranaense atravessa mais uma temporada recheada de resultados expressivos, conciliando a própria carreira nas mesas com uma participação cada vez mais ativa no desenvolvimento técnico de outros profissionais.

Em 2026, o EPT Barcelona voltou a ser cenário de uma passagem especialmente marcante. Em apenas três dias na série patrocinada pelo PokerStars, Kovalski conquistou o Mystery Bounty, para € 385.430, e depois cravou o High Roller, embolsando € 727.280. A relação com a cidade, aliás, vai muito além de uma única edição: desde 2016, são 22 ITMs, três títulos e mais de € 2,1 milhões em premiações apenas na etapa espanhola do circuito.

Fabiano Kovalski campeão EPT High Roller Barcelona - Eloy Cabacas
Festa brasileira em Barcelona (foto: Eloy Cabacas)

O excelente momento também se estendeu ao online. Em setembro, o brasileiro ficou a uma vitória de conquistar um bracelete no US$ 25.000 High Roller NLH Championship da WSOP Online, terminando como vice-campeão para US$ 699.120. Também neste ano, foram dois pódios do GGMillion$ High Rollers, tradicional torneio de US$ 10.000 do GGPoker.

Mas os resultados contam apenas uma parte da história. Em entrevista exclusiva ao PokerLife, Kovalski falou sobre a relação especial que construiu com Barcelona, comparou as experiências do live e do online, explicou como concilia a própria evolução com o trabalho dentro do Samba Poker Team e analisou o momento vivido pelo poker brasileiro.

O jogador também destacou a influência dos companheiros de equipe, falou sobre a possibilidade de competir em alto nível sem abandonar a leveza nas mesas e deixou uma resposta bastante simples quando questionado sobre o futuro: continuar fazendo aquilo que lhe traz felicidade.

Confira o bate-papo:

Barcelona parece ter se transformado em uma segunda casa para você. O que existe lá que faz você chegar e parecer tão confortável quanto em um home game com os amigos?

A vida na cidade parece um lar fora de casa. Quando chego lá, já tenho uma rotina padrão, com bastante praia e esportes, curtindo o verão. Costumo chegar um ou dois dias antes para me acostumar com o fuso e aproveitar um pouco antes de começar a competir. Quando estamos no jogo, também é legal porque acabo conhecendo quase todo mundo que trabalha lá. É um ambiente bem amigável e divertido.

Nas mesas, porém, é importante manter esse clima de home game em check e sempre lembrar que estamos lá para vencer. Se fazer amigos está contribuindo para isso, ótimo. Mas muitas vezes é importante lembrar que estamos lá para ganhar, colocar energia em perceber o que está acontecendo e procurar maneiras de conseguir alguma vantagem extra.

Hoje, o que te atrai mais: um bom grind online ou um torneio live com uma grande estrutura, como o EPT?

São experiências diferentes. Tenho preferido o live, mas é close. O online tem suas vantagens, com certeza.

Há algum tempo você divide a rotina entre ser jogador e sócio de um dos maiores times de poker do mundo. Como funciona esse desafio dentro do Samba Poker Team?

É mais uma simbiose do que um desafio. Minha função dentro do Samba hoje é dar suporte técnico e ajudar meus alunos a jogarem um poker mais lucrativo e com fundamentos melhores a cada dia. É exatamente a mesma coisa que eu preciso tentar alcançar com o meu próprio jogo.

Quando trabalhamos juntos, os dois lados ganham. Claro que jogo menos, mas isso provavelmente já aconteceria de qualquer maneira pela vida mais voltada à família que tenho hoje.

O poker online brasileiro atravessa mais uma temporada extraordinária. Como você avalia esse momento e qual é o peso dos times nessa evolução?

É um momento incrível. Este ano mesmo está sendo o verdadeiro “Brazilian Storm”, e agora vamos tentar aquele final épico pelo mundo. O Samba e os outros times contribuem muito para isso, facilitando um plano de carreira no qual você começa jogando barato, sem precisar arriscar o próprio dinheiro, e consegue escalar os limites rapidamente.

Quando você está em uma estrutura na qual ouve diariamente como um jogador de super high stakes pensa o poker, naturalmente vai internalizar isso em algum grau e evoluir muito mais rápido do que evoluiria sozinho.

Depois de tantos anos no jogo, quem você considera suas maiores influências e inspirações no poker?

Tem a galera das antigas, mas hoje acho que posso responder: meus sócios e as pessoas próximas de mim, que são grandes jogadores. Se for citar, são muitos. Mas quando você está no dia a dia com o Kelvin Kerber, por exemplo, vendo ele colocar uma ética de trabalho mais intensa a cada ano, mesmo depois de conquistar tudo o que já conquistou, isso inspira e faz você correr atrás também.

Fabiano Kovalski e Kelvin Kerber - EPT ME 2024
Fabiano Kovalski e Kelvin Kerber, durante o Main Event do EPT Barcelona 2024 (Danny Maxwell)

Falei do Kelvin, mas poderia ser qualquer um dos meus sócios: Padilha, Piv, Tavares, entre outros. Todos são grandes influências e inspirações, cada um do seu jeito.

Conversando com outros jogadores, é praticamente unânime a admiração pelo Kovalski jogador, mas também o carinho pelo Kova pessoa. Como você consegue equilibrar o lado pessoal com a competitividade necessária para jogar em alto nível?

Uma coisa não interfere na outra. Você pode ser um competidor feroz e ser gentil ao mesmo tempo. Vejo muitos jogadores que acham que precisam ficar rabugentos, sem fazer piadas na mesa, para vencer. Isso simplesmente não é verdade. Bem pelo contrário.

Depois de tudo que já conquistou e hoje como um formador de jogadores, como você se enxerga em um futuro próximo?

O que eu quero estar fazendo é o que me traz felicidade, independentemente de fatores externos, seja lá o que for (risos).

Fabiano Kovalski
Kovalski durante evento do BSOP Millions (foto: BSOP)

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Foto principal: Fernando Potrick.