Jogador argentino Richard Dubini fala sobre circuito ao vivo: "poker vende muita fumaça"


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Os números chamativos das premiações costumam contar apenas uma parte da história de um jogador profissional. Foi justamente sobre esse contraste que Richard Dubini falou recentemente durante participação no podcast Las cartas sobre la mesa, apresentado por Pamela Balzano no Enjoy Punta del Este.
Com mais de US$ 2 milhões em premiações registradas em torneios ao vivo, além de longa experiência nos cash games e no poker online, o argentino abordou um tema que raramente aparece quando os grandes resultados ganham destaque: quanto do próprio dinheiro os jogadores realmente colocam em jogo e o peso dos períodos de downswing.
A conversa começou com uma pergunta direta de “Pamsi”: qual percentual dos jogadores do circuito atua bancado por outras pessoas? Para Dubini, a resposta é simples: a maioria.
“Dos que eu conheço, são muito poucos os que realmente sei que jogam completamente por conta própria”, explicou o argentino. Segundo ele, mesmo aqueles que bancam a própria ação frequentemente vendem porcentagens quando chegam aos torneios de buy-ins mais elevados.
O motivo está no próprio custo de acompanhar um circuito completo. Com uma grade extensa e inscrições que rapidamente chegam à casa dos milhares ou dezenas de milhares de dólares, a exposição financeira pode se tornar difícil de sustentar individualmente por longos períodos.
Foi então que Pamela levantou outro ponto importante: muitas vezes, uma grande vitória serve apenas para compensar meses, ou até anos, de resultados negativos. Dubini concordou e resumiu sua visão com uma frase forte: “o poker vende muita fumaça”. O argentino explicou que, para quem acompanha apenas os resultados públicos, é fácil enxergar um pódio ou um título e imaginar que aquele valor representa lucro imediato. O que fica escondido é tudo aquilo que aconteceu antes.
“Meus amigos veem quando ganho um torneio ou termino em terceiro e recebo determinado valor, mas não viram todo o caminho em que talvez eu estivesse há um ano perdendo”, destacou.
A reflexão toca em uma diferença fundamental do poker profissional: premiação não é sinônimo de lucro. Buy-ins, reentradas, viagens, hospedagens e eventuais divisões de ação podem fazer com que um resultado aparentemente enorme tenha impacto financeiro muito diferente daquele sugerido pelo valor bruto divulgado.
Ao mesmo tempo, Dubini tratou essa realidade com leveza. Para ele, a paixão pelo poker e o prazer de continuar competindo obrigam o profissional a se adaptar constantemente aos altos e baixos da carreira.
“O fato de ter paixão por isso e estar o tempo todo aproveitando faz com que você vá se reinventando durante o caminho”, afirmou.
Assista ao episódio completo:
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Esta reportagem foi atualizada com correções ao conteúdo anterior.
Foto: KSOP.













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