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Lenda viva da WSOP, Perry Green segue jogando a série 50 anos após o primeiro bracelete

Perry Green - WSOP
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Há histórias que atravessam gerações na World Series of Poker (WSOP), e poucas carregam tanta memória quanto a de Perry Green. Aos 90 anos, o tricampeão de braceletes segue presente na maior série de poker do mundo, não apenas como personagem do passado, mas ainda sentado às mesas, competindo, reencontrando amigos e mostrando que sua relação com o jogo nunca foi apenas sobre resultados.

Green é parte viva da história da WSOP. O jogador ficou eternizado por ter enfrentado Stu Ungar no heads-up do Main Event de 1981, uma das edições mais marcantes da série. Naquele duelo, acabou com o vice-campeonato diante de um dos maiores talentos que o poker já viu. Décadas depois, ainda fala sobre a experiência com leveza, lembrando que chegou a colocar Ungar em all-in três vezes antes de perder o controle do confronto.

Antes de ser um nome conhecido em Las Vegas, porém, Green construiu uma vida longe do circuito. Passou boa parte da carreira profissional como comerciante de peles no Alasca, teve outros negócios, atuou na política local e participou de comissões e conselhos.

Em entrevista ao portal PokerOrg, ele contou que o poker apareceu primeiro como curiosidade, ainda na juventude, e ganhou força durante o período militar, quando aprendeu mixed games. Em uma das lembranças mais simbólicas, contou que transformou US$ 14 em US$ 1.000 durante o treinamento básico do Exército, dinheiro que ajudou em seu casamento. Ele segue casado com a mesma mulher há 70 anos.

A trajetória nos torneios começou com impacto imediato. Green conquistou seu primeiro ITM e primeiro bracelete em 1976, no US$ 1.000 Ace to Five Draw. No ano seguinte, venceu novamente, desta vez no US$ 5.000 Limit Ace-to-Five Draw Championship. O terceiro bracelete veio em 1979, no US$ 1.500 No-Limit Hold’em, durante a décima edição da WSOP. Mesmo sem ter origem nos torneios, construiu um currículo que resiste ao tempo.

O Main Event também guarda capítulos importantes de sua história. Além do vice para Ungar em 1981, Green voltou à mesa final em 1991, quando terminou na quinta colocação na edição vencida por Brad Daugherty. Ele próprio admite que era, originalmente, um jogador de lowball e que conhecia pouco de hold’em no Alasca, mas encontrou no livro Super System, de Doyle Brunson, uma porta de entrada para se divertir com a modalidade.

Em 2026, a simples presença de Green na WSOP já chama atenção. Caminhar do quarto de hotel até a sala de torneios não é mais tarefa fácil, como ele mesmo reconheceu, mas o desejo de reencontrar velhos amigos ainda fala alto. E ele segue competitivo: avançou ao Dia 2 do Evento #4: US$ 1.500 Omaha Hi-Lo 8 or Better, adicionando mais um resultado a um perfil no Hendon Mob que já se estende por exatos 50 anos.

O tom da história fica ainda mais humano quando Green fala sobre o que realmente ficou de cinco décadas no poker. Mais do que potes gigantes ou braceletes, ele lembra das pessoas, das viagens e das histórias improváveis. Uma delas envolve Brunson em uma pescaria no Alasca, quando Green convidou também um amigo que era diretor do FBI no estado, sem contar a nenhum dos dois quem era o outro.

Aos jogadores mais jovens, o conselho de Green é simples e talvez por isso mesmo tão valioso: jogar por diversão, aproveitar a vida, trabalhar, construir família, ter filhos e netos. Para ele, o poker nunca foi apenas a busca por uma grande vitória, mas parte de uma vida mais ampla.

Foto: Miguel Cortes/WSOP.

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