Após bracelete na WSOP, Michelle Chin diz que poker ainda falha com as mulheres


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A maior vitória da carreira de Michelle Chin veio acompanhada de um discurso que foi além do bracelete. A norte-americana venceu o Evento #58 (US$ 1.500 Limit 2-7 Lowball Triple Draw) da WSOP 2026, e aproveitou parte da entrevista pós-título para falar sobre um problema que, segundo ela, segue afastando mulheres do poker: o ambiente nas mesas.
Chin entrou para um grupo bastante restrito de mulheres campeãs de eventos abertos da World Series of Poker, ao lado de nomes como Barbara Enright, Jennifer Harman, Vanessa Selbst e Kristen Foxen. Ela também se tornou a segunda mulher a vencer um bracelete na edição de 2026, depois da conquista de Foxen no US$ 25.000 High Roller No-Limit Hold’em.
A nova campeã já havia feito história no passado. Em 2015, Chin foi a primeira mulher a vencer um Main Event do WSOP Circuit. Na época, ainda era dona de restaurante e tinha começado a jogar poker havia pouco tempo. Onze anos depois, voltou ao centro das atenções com o bracelete, agora em uma modalidade técnica e de field aberto.
O título veio em uma disputa dura contra Daniel Strelitz, bicampeão da WSOP. Mesmo com a alegria do resultado, Chin foi direta ao tratar da experiência feminina no poker. Em entrevista à PokerOrg, ela afirmou que, com mais tempo de jogo, passou a entender melhor por que há tão poucas mulheres nas mesas.
“É horrível. Há homens que são muito insensíveis, eles falam coisas na mesa como: ‘Você joga como uma garotinha’. Por que você está usando essa palavra para insultar outro homem? Quando você diz isso perto de mim, quer dizer que eu simplesmente jogo mal? É muito difícil”, desabafou.
Chin cita a dicotomia que vive quando se senta à mesa com quem utiliza esse caminho para agredir outro homem. Para ela, fica claro o desmerecimento encrustado no machismo, que usa o feminino como termo pejorativo.
“Quando estou sentada em uma mesa de poker, não estou tentando confrontar, porque estou tentando jogar poker e não deixar que essas coisas afetem meu humor. E eles não têm más intenções. É só muito estranho. É simplesmente muito desconfortável”, completou, reafirmando que isso afasta muitas mulheres que poderiam estar ali para se divertir.
O relato ganhou ainda mais peso porque veio depois do maior resultado da carreira da jogadora. Em vez de apenas celebrar o bracelete, Chin escolheu chamar atenção para uma realidade que, segundo ela, ainda afasta mulheres do jogo. A norte-americana contou, inclusive, que uma amiga próxima do Japão abandonou o poker recentemente por causa desse ambiente, mesmo gostando muito do jogo.
A vitória não muda esse cenário sozinha, mas aumenta o alcance da mensagem. Chin afirmou que não chegou ao torneio com grandes expectativas e que apenas tentou fazer o melhor possível, lembrando que torneios são difíceis de vencer. Desta vez, ela venceu. E, ao vencer, deixou claro que o poker ainda tem uma conta aberta com as mulheres que tentam apenas sentar, jogar e competir em condições normais.
Até o dia 15 de julho, craques e apaixonados pelo jogo invadem Las Vegas em busca da glória máxima do poker mundial na WSOP 2026. Acompanhe todos os detalhes da série aqui no PokerLife.
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Foto principal: Lennart Hennig/WSOP.















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