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Chris Moneymaker explica call que o eliminou na bolha do Main Event da WSOP

Chris Moneymaker
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ACR Poker

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Uma das mãos mais comentadas do Main Event da World Series of Poker (WSOP) 2026 voltou ao centro do debate após uma entrevista exclusiva concedida por Chris Moneymaker ao ACR Poker. O embaixador da plataforma detalhou o raciocínio por trás do call que provocou sua eliminação na bolha para Antonio Vargas.

Em seu vlog diário, Moneymaker mostrou todos os passos e chegou a avaliar como "um grande erro" a sua decisão. Mas desta vez, ele mostra cada detalhe do hero call. iniciou o Dia 4 com 221.000 fichas nos blinds 4.000/8.000, com big blind ante de 8.000. O stack de pouco menos de 28 big blinds ainda permitia ao campeão mundial de 2003 disputar potes, mas o contexto era delicado: restavam 1.389 jogadores, apenas sete acima das 1.382 posições premiadas. 

“Eu ainda tinha fichas suficientes para jogar. Não estava em uma situação em que poderia simplesmente largar todas as mãos e esperar a bolha estourar”, explicou o norte-americano.

A mão começou com Moneymaker abrindo para 17.000 do HJ. Vargas 3-betou para 42.000, e o embaixador do ACR Poker decidiu pagar com J9. A escolha esteve diretamente ligada à leitura construída sobre o adversário, descrito como um jogador bastante ativo e capaz de aproveitar a pressão da bolha para jogar com mãos marginais.

Vargas tinha AA e o flop trouxe 877. Ele apostou apenas 20.000 em um pote próximo de 96.000 e Moneymaker pagou com uma broca para sequência, já que somente um dez completaria o seu melhor jogo. O tamanho reduzido da aposta teve peso na decisão. Para Moneymaker, aquela ação não restringia a mão do adversário somente a pares altos e ainda oferecia um preço favorável para seguir no pote.

“Eu tinha a broca, estava recebendo boas pot odds e aquele siza não me fez pensar que o range dele havia se transformado apenas em pares grandes”, declarou.

Chris Moneymaker bolha WSOP
Chris Moneymaker é eliminado do Main Event da WSOP (foto: ACR Poker)

A jogada começa a ficar estranha no turn

O turn apresentou o 7, colocando a terceira carta igual no board. Vargas disparou mais 45.000, e Moneymaker pagou novamente. Para Moneymaker, porém, o terceiro sete também reduzia as combinações possíveis de mãos contendo essa carta. Ele ainda acreditava que Vargas poderia continuar pressionando com cartas que não haviam melhorado, principalmente por causa da dinâmica anterior entre os dois.

O river 8 completou o full house no board. Vargas então colocou Moneymaker em all-in por aproximadamente 100.000 fichas, criando a decisão que rapidamente ganhou repercussão. Moneymaker não melhorava o full house disponível na mesa. Contudo, contra blefes formados por duas cartas sem um sete ou um oito, ambos utilizariam exatamente as mesmas cinco cartas e dividiriam o pote. Pares de 2 a 6 também não superariam o bordo.

Por outro lado, pares de 9 a A formariam um full house superior. Qualquer mão contendo um sete teria uma quadra, enquanto uma carta oito também produziria uma combinação capaz de superar a mesa. O cálculo de Moneymaker, portanto, não era vencer o pote inteiro, mas identificar se Vargas teria blefes suficientes para justificar um call em busca do empate. 

“Eu não estava pagando porque achava que valete-nove vencia ases, é claro. Estava pagando porque acreditava que uma parte suficiente do range dele jogava somente o board (...) Ele talvez seja o único jogador contra quem eu faria esse call”, resumiu o profissional.

Não era blefe

O showdown revelou exatamente uma das mãos que Moneymaker não queria encontrar. A saída ocorreu simultaneamente às eliminações de Stoyan Madanzhiev e Zhaken Seitbekov. Como havia apenas duas premiações de US$ 15.000 disponíveis, os US$ 30.000 foram divididos igualmente entre os três jogadores, que receberam US$ 10.000 cada, mesmo valor do buy-in.

Além disso, os três foram para uma nova disputa valendo pacote para a WSOP Paradise, a qual Seitbekov, conhecido como “Jack”, venceu:

O relato mostra que a escolha não foi aleatória. O norte-americano considerou a imagem agressiva do adversário, os tamanhos utilizados em cada rodada e a possibilidade de Vargas explorar a bolha com mãos que terminariam jogando o bordo. A leitura não funcionou naquela ocasião, mas explica por que Moneymaker arriscou sua campanha em uma decisão que dividiu opiniões dentro da comunidade.

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Foto: Fernando Potrick. 

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