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Daniel Negreanu e Gus Hansen revisitam mão histórica do High Stakes Poker 20 anos depois

Algumas mãos de poker simplesmente atravessam gerações. Quanto mais antigas, muitas vezes mais memoráveis se tornam, especialmente quando envolvem alguns dos maiores nomes da história do jogo. É exatamente esse o caso de um confronto clássico entre Daniel Negreanu e Gus Hansen, protagonizado na segunda temporada do programa High Stakes Poker.

Quase duas décadas depois da mão original, os dois profissionais voltaram a analisá-la em um conteúdo especial produzido pelo PokerGO (assista acima, na íntegra). Logo no início da conversa, Hansen destacou como o poker mudou profundamente desde então. “Antes de mais nada, é importante dizer que o poker em 2026 é um animal completamente diferente do que era há 20 anos”, afirmou o dinamarquês ao comentar o contraste entre o jogo daquela época e o cenário atual.

A mão aconteceu no verão de 2006, em um episódio gravado no Palms Casino, em Las Vegas. A mesa reunia uma escalação digna de época de ouro do poker televisivo, com nomes como Doyle Brunson, Antonio Esfandiari, Barry Greenstein e Eli Elezra, além da dupla protagonista.

Com blinds em US$ 300/US$ 600, Hansen abriu a ação para US$ 2.100 segurando 55. No meio da mesa, Negreanu respondeu com um pequeno 3bet para US$ 5.000 com 66, uma linha que ele próprio reconheceu, anos depois, como pouco comum para aquele período. Do BB, Esfandiari foldou AQ e Hansen pagou.

O flop trouxe 965, criando uma situação explosiva de trincas para ambos. Hansen deu check, Negreanu apostou US$ 8.000 e recebeu um raise para US$ 26.000. O canadense optou apenas pelo call. Negreanu comentou, ao rever a mão, que toda a situação começou a se tornar incomum justamente por causa da sua ação pré-flop.

“Essa mão é meio estranha por causa disso. Eu fiz um 3bet pequeno com um par de seis, algo que simplesmente não era comum fazer naquela época”, explicou.

A reviravolta no turn

Se no flop Negreanu parecia praticamente invencível, o turn 5 mudou completamente o cenário. Hansen melhorou seu jogo para quadra, virando o jogo de forma dramática: “Quando o cinco caiu no turn, acabou qualquer preocupação de perder a mão”, lembrou Hansen. “Eu tenho quadra. Agora o objetivo era extrair o máximo possível do Daniel.”

O dinamarquês apostou US$ 24.000, novamente recebendo call. Após um 8 no river, Hansen optou por checkar. Negreanu então apostou US$ 65.000, acreditando ainda ter a melhor mão, um full house, na maioria das vezes.

Após a aposta, Hansen anunciou all-in por mais US$ 167.000. Negreanu entrou em um longo processo de reflexão, analisando toda a sequência da mão antes de tomar sua decisão. No fim das contas, Negreanu decidiu pagar. O pote chegou a US$ 575.700, tornando-se na época o maior da história do programa.

“Acho que poderia ter jogado um pouco melhor. Dei ao Daniel uma pequena chance de escapar da mão”, avaliou o dinamarquês.

“Eu já conversei muitas vezes com o Gus sobre essa mão. E fica ainda mais tiltante depois de ouvir o raciocínio dele, porque tudo o que ele pensou era exatamente o que eu queria que ele pensasse”, finalizou Negreanu.