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Escândalo dos high stakes: alertas sobre contas suspeitas se espalhavam há dois anos

Malware - shutterstock

Os novos desdobramentos do escândalo envolvendo computadores invadidos e uso de informações privilegiadas nos high stakes online trouxeram à tona novidades. Uma das contas atualmente relacionadas ao caso já havia sido detectada e banida pelo site CoinPoker muito antes de a investigação se tornar pública. A plataforma confiscou mais de US$ 100 mil e utilizou os fundos para ressarcir jogadores prejudicados.

A conta em questão utilizava o nickname “Europe” e, segundo Patrick Leonard, estava registrada em nome do canadense Paul Gregg, jogador que passou a aparecer no centro das suspeitas levantadas pela investigação. Conforme informações publicadas pelo portal Poker-Red, a plataforma identificou o comportamento irregular e encerrou a conta em menos de uma semana de atividade na plataforma.

O valor confiscado ultrapassou US$ 100 mil e foi distribuído entre jogadores afetados. Um deles foi Ignacio Morón, que relatou ter recebido cerca de US$ 60 mil de volta. Em entrevista ao Poker-Red, o espanhol contou que, em uma sessão de heads-up contra “Europe”, perdeu aproximadamente essa mesma quantia em apenas 15 minutos. Atualmente, Morón estima que seu prejuízo total contra contas relacionadas ao caso possa ter ficado entre US$ 100 mil e US$ 200 mil.

Mario Mosböck, embaixador do CoinPoker, confirmou que a equipe de segurança da sala identificou a conta, confiscou os fundos e efetuou o banimento. Leonard também elogiou a atuação da plataforma e afirmou que, embora naquele momento não soubessem exatamente qual método estava sendo utilizado, o padrão de jogo indicava que o usuário possuía informações às quais os adversários não tinham acesso.

O ponto mais preocupante está no que aconteceu depois. Segundo Leonard, cerca de 100 jogadores já haviam manifestado suspeitas sobre contas ligadas a Paul Gregg junto a diferentes plataformas ao longo dos últimos anos. Ainda assim, contas apontadas pela comunidade continuaram aparecendo nos high stakes e obtendo resultados considerados fora do padrão pelos regulares.

Entre elas estão “JackKlompus” e “OxOO”, utilizadas na rede WPN e posteriormente relacionadas ao caso nas investigações publicadas pelo Poker-Red. Em grupos privados de jogadores, os nicks já eram discutidos havia meses, com comparações de estatísticas, históricos de mãos e padrões de seleção de adversários. Em novembro de 2025, jogadores chegaram a pedir diretamente uma investigação sobre “OxOO”.

GGPoker também recebeu alerta

Outro capítulo envolve o GGPoker. Patrick Howard, treinador da Mobius Poker, preparou no início de setembro um relatório sobre a conta de Paul Gregg depois de analisar 32.780 mãos. O estudo não afirmava categoricamente que havia trapaça, mas identificava números anormais em potes grandes e recomendava que a atividade continuasse sendo monitorada. O material foi encaminhado à sala.

Entre os dados levantados por Howard estavam um winrate de 13,9 big blinds a cada 100 mãos e resultados particularmente fortes em potes superiores a 150 big blinds. O treinador afirmou posteriormente que o GGPoker entrou em contato com ele depois que o caso ganhou repercussão pública.

O caso ganhou dimensão ainda maior após a investigação de “WolfSec0x0” revelar que softwares utilizados por jogadores haviam sido comprometidos para permitir acesso remoto às máquinas. Com isso, o invasor poderia visualizar as telas, incluindo as cartas fechadas, enquanto as partidas aconteciam. A operação teria sido altamente direcionada e atingido algumas dezenas de jogadores de high stakes.

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Foto: shutterstock.

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