PokerLife.com.br

Renan Bruschi fala sobre recorde no SCOOP, Mixed Games, carreira e planos para o futuro; confira entrevista com o craque

Renan Bruschi

Renan Bruschi é um dos grandes nomes do poker brasileiro faz tempo. Com uma carreira sólida e recheada de grandes resultados, o gaúcho se destaca pela versatilidade e brilha tanto no online quanto no live. No último SCOOP, por exemplo, o comandante da lendária conta “Internett93o” cravou seis eventos e tornou-se o brasileiro mais vitorioso na história do festival, com 12 conquistas.

Renan também é dono de um bracelete da WSOP, ganho no Evento #14 (US$ 500 The BIG 500) da edição online de 2021. Nos torneios ao vivo, já faturou mais de US$ 2,8 milhões, de acordo com o site Hendon Mob, e tem desempenhos expressivos nas principais séries nacionais e mundiais.

Em entrevista exclusiva ao PokerLife, Bruschi revisitou pontos importantes da carreira, falou sobre os planos para os próximos meses, rotina de estudos, Mixed Games e mais. Confira:

Você venceu seis títulos no SCOOP 2026 e se tornou o brasileiro com mais conquistas na história, somando 12 triunfos, além de terminar bem posicionado nas leader boards. Que balanço você faz da sua participação na série?

Foi um balanço positivo. Fiquei feliz com a minha performance, porque em cada série a gente tem mais bagagem e conhecimento, especialmente nos Mixed Games, fazendo com que a gente se torne mais competitivo. Então esses títulos, apesar dos fields serem reduzidos agora, são importantes e demonstram isso.

Sobre a aposta nos Mixed Games, como se prepara e estuda para esses jogos? Continua com o Tobias Leknes como coach?

Não tenho estudado tanto como eu gostaria, mas sim, eu faço sessões com o Tobias. Além disso, a gente tem um grupo de gringos para discussão de mãos e a temos um canal no Discord onde compartilhamos notes dos adversários, só de Mixed Games. Também faço coach com o Alm Wilson. E tem os amigos que já fizeram coach com eles, um grupinho privado no Discord.

Renan Bruschi

Tem preferência por alguma modalidade? Por quê?

Eu gosto muito de todos os Draw Games. Não sou o melhor neles, longe disso. Antes ainda, obviamente, vem o No-Limit Hold’em, até mesmo o PLO, mas, assim, o que eu mais gosto de jogar e os mais instigantes pra mim são os Draw Games, são mais complexos também. E os Big Bets da WSOP. Tirando os Omaha Hi-Lo, já aproveitando a pergunta, qualquer variante é a modalidade que eu mais odeio, detesto o Omaha Hi-Lo.

O poker brasileiro vem se destacando no cenário internacional, tanto live quanto online. Na sua opinião, em que nível estamos hoje, é possível dizer que não devemos nada para ninguém ou ainda falta alguma coisa? 

Em No-Limit Hold’em os top jogadores brasileiros não devem nada pra ninguém, num cenário macro internacional. Mas nos Mixed Games com certeza falta, porque são pouquíssimos jogadores que dividem os estudos. Ainda sigo naquele pensamento de que um jogador para ser completo e topo da cadeia tem que ter conhecimento e bater outras modalidades também, não só as duas cartas. Assim como o Yuri (Martins) faz há muito tempo, ele é a referência nacional nossa e internacional, está entre os melhores do mundo e faz com maestria tudo isso, né? Por isso com certeza o Yuri é considerado o top 1 não só do Brasil, mas por muitos até mundialmente.

Quais seus planos para os próximos meses, o que pretende jogar?

Vou jogar as séries do GGPoker e CoinPoker provavelmente até a data da WSOP. Aí eu vou pegar a World Series desde o início desse ano, jogar toda a grade. É sempre a mesma rotina anual, séries mundiais online, SCOOP, WCOOP, as do GGPoker, WSOP online e tudo mais, além das paradas live. Esse ano vou para Las Vegas, como eu disse anteriormente, jogar a reta toda. E aí faço mais algumas paradas. Eu queria ir para Triton Montenegro, mas acho que vou acabar indo para Jeju 2, que é depois do EPT Barcelona. Até por conta do field, Jeju é bem mais soft do que Montenegro. E também porque eu já vou fazer a reta toda de Vegas, então vai ficar muito torneio live. Esses quase dois meses em Vegas pra mim já são bem desgastantes.

Renan Bruschi

Alguns jogadores se especializam no live ou no online, você tem feito bonito em ambos, como mesclar sem perder a competitividade? 

Eu mesclo live e online desde o início da minha carreira, então tive uma adaptação muito rápida para o cenário ao vivo. Não dá para se dizer que eu sou um online player exclusivamente, porque no início da minha carreira eu jogava cash live de No-Limit Hold’em e de PLO. Então eu sempre tive essa divisão entre online e live. E acredito que no live a experiência conta demais. Ter essa bagagem de exploits que você pode fazer versus os variados perfis de oponentes é bem importante.

O cara que sai do online só com o livrinho na mão com certeza não vai performar no live porque é um mundo totalmente diferente. Esses ranges mais estáticos, digamos assim, que a gente joga no online, no live se você fizer isso vai acabar rasgando dinheiro. Então tem que ter uma imersão boa, experiência, ter conhecimento teórico, mas também saber fazer os desvios de acordo com o perfil do oponente que você enfrenta para não perder a competitividade.

Voltando ao passado, como começou no poker e o que de mais importante mudou na sua forma de encarar o jogo desde então?

Comecei durante a minha graduação em Odontologia, no terceiro semestre, e conciliei até me formar e ter o diploma na Universidade Federal de Pelotas. Aí depois passei a jogar profissionalmente, a partir de agosto de 2011. O que mais mudou é que eu era muito preocupado em jogar corretamente o tempo inteiro do ponto de vista teórico, desde a época do PioSOLVER, hoje com o GTO Wizard. Atualmente, pouco me importo com isso. Eu faço as jogadas que eu acredito serem as melhores, independente do resultado teórico ou resultado prático que eu tive com uma tomada de decisão. Acho que isso é muito importante, ter a teoria junto contigo, mas ter o bom senso de fazer os desvios necessários e de jogar uma mão totalmente diferente do mundo teórico, blefar um river que em teoria aborta e vice-versa. 

E ainda tem a questão financeira, ajuda muito possuir uma estabilidade financeira off poker, não precisar da rentabilidade dele pra viver, enfim, pra cobrir seus gastos e tudo mais, é muito importante também. Eu acredito que isso te dá uma tranquilidade nas tomadas de decisões diversas, não tem tanto peso um erro, um acerto, num late game. Simplesmente fecha a tela e abre mais uma. E se é no live, acaba o torneio, registra em outro e por aí vai.

Fotos: BSOP.

BCPoker

BCPoker

Bônus Especial de $5 Grátis Nenhum Depósito Necessário