Erik Seidel reduz calendário e fala em “semiaposentadoria” após impacto de nova lei nos EUA

Erik Seidel (PGT)

A discussão sobre a nova tributação no poker nos Estados Unidos ganhou um novo desdobramento nos últimos dias. Um dos maiores nomes da história do jogo, Erik Seidel, revelou que decidiu reduzir drasticamente sua agenda em 2026, adotando uma espécie de “semiaposentadoria” diante do novo cenário fiscal.

A mudança está diretamente ligada à legislação aprovada no ano passado, que alterou a forma como jogadores podem compensar perdas e ganhos. Com a limitação da dedução a 90%, surgiu o chamado problema da “renda fantasma”, no qual até mesmo jogadores que não lucraram — ou até fecharam o ano no prejuízo — podem acabar sendo tributados.

Em entrevista recente ao canal CNBC, ele foi direto ao explicar sua decisão: “As margens são realmente muito pequenas. Se você é um jogador profissional de poker, não há garantia de lucro no fim do ano”. Segundo Seidel, o novo modelo cria uma situação “realmente insustentável”, mesmo para jogadores de alto nível.

Em 2026, o veterano garante que pretende evitar praticamente todos os torneios high rollers, reduzindo significativamente o volume que costuma jogar ao longo da temporada. Apesar de poder diminuir o ritmo, Seidel também demonstrou preocupação com o impacto mais amplo da medida: “Posso me dar ao luxo de jogar menos, mas isso é devastador para pessoas muito mais jovens do que eu.”

Quando um nome do quilate de Seidel se posiciona, a repercussão é imediata. Dono de 10 braceletes da World Series of Poker e ocupando o 15º lugar na All Time Money List, com mais de US$ 48,7 milhões em premiações ao vivo segundo o The Hendon Mob, o norte-americano é uma das vozes mais respeitadas do jogo mundialmente. Nesse contexto, sua decisão acende um alerta e levanta a possibilidade de que outros profissionais também passem a rever seus calendários diante do novo cenário fiscal.

Foto: PGT.