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Falha de Duey Duong no LAPC divide executivos da indústria: “o poker deve premiar a melhor mão, não questões técnicas”

Duey Duong

Um erro incomum na mesa final do LAPC Commerce Classic, disputado no Commerce Casino, em Los Angeles, na última quarta-feira (18), extrapolou os limites do torneio e ganhou repercussão internacional. Duey Duong acabou muckando uma mão que dividiria um grande pote, abrindo debate nas redes sociais e levando executivos da indústria a se posicionarem publicamente sobre o caso.

O episódio ocorreu logo na primeira mão da decisão do torneio de US$ 1.200, que contou com US$ 1.000.000 garantido. Com os nove jogadores restantes, Erick Ordonez abriu a ação com QQ e recebeu o call de Duong, que defendia o small blind com KQ. O board correu com Q98104, completando cinco cartas de ouros na mesa. Nenhum dos dois possuía ouros na mão – o flush era comunitário.

Após o check no river, Ordonez mostrou sua trinca, que na prática valia apenas o flush de mesa. Duong, sem perceber que também tinha o mesmo jogo, descartou suas cartas no muck. Como não apresentou a mão no showdown, ela foi declarada morta, e Ordonez ficou com o pote inteiro. Tecnicamente, o procedimento foi aplicado de forma correta; na essência do jogo, o pote seria dividido.

A situação gerou discussão imediata na mesa e rapidamente tomou conta das redes sociais. Entre os que se manifestaram esteve Sean McCormack, diretor executivo de Estratégia e Desenvolvimento de Poker da MGM Resorts. “Ganhar um pote por uma tecnicalidade como essa nunca deveria parecer correto”, escreveu McCormack.

Ele reconheceu que é responsabilidade do jogador proteger sua mão, mas argumentou que o desfecho foi ilógico. “No showdown, ambos tinham um flush de dama no board antes mesmo de mostrarem as cartas. Para ganhar o pote inteiro, um jogador deveria apresentar algo melhor do que isso. O QQ não apresentou. Conceder o pote completo quando as cinco melhores cartas são as do board, idênticas às do oponente, não faz sentido.” Para ele, a decisão mais justa seria dividir o pote e aplicar uma advertência ao jogador que não abriu corretamente sua mão. “O poker deve premiar a melhor mão, não questões técnicas.”

Em linha diferente, Matt Savage, diretor executivo de turnê do World Poker Tour e fundador da PokerTDA, reforçou a importância do procedimento formal no showdown. Segundo ele, a regra de “um jogador por mão” deve prevalecer. “Deve ser um jogador por mão, sim. Se outro jogador avisa que há flush no board e, nesse caso, Duy mostra as cartas, ele recebe metade do pote. Mas o dealer é treinado para matar mãos descartadas, e foi isso que aconteceu corretamente. O dealer não deve dizer que o board joga se ambas as mãos não estiverem abertas sobre a mesa”, explicou.

A divergência expõe um debate antigo no esporte da mente: até que ponto o rigor técnico deve se sobrepor ao espírito do jogo? O fato é que o erro teve impacto direto no desfecho do torneio. Duong, que poderia ter preservado parte considerável de seu stack, acabou eliminado na sexta colocação, levando US$ 52.050. Ordonez, por sua vez, aproveitou o impulso e terminou como vice-campeão, com US$ 177.270.

Foto: Bally Poker Live.

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